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21/03/2006
Paraná estuda criação de medidas contra a entrada das sementes terminator
Nesta quarta-feira (22), técnicos da Secretaria da Agricultura do Paraná (SEAB), juntamente com especialistas internacionais, estarão discutindo, no Expotrade, em Pinhais, a criação de medidas de prevenção contra a entrada no Estado da chamada “semente suicida” (terminator technology) - espécie de semente desenvolvida utilizando a tecnologia terminator. A tecnologia modifica plantas geneticamente para produzir sementes estéreis na colheita.
A autorização para que empresas façam experimentos com a terminator está na pauta das discussões da 8ª Conferência das Partes da Convenção da Biodiversidade (COP8) e há uma grande pressão da indústria para que esta autorização seja aprovada.
Embora o Brasil tenha uma lei proibindo este tipo de experimento, os técnicos do Governo do Paraná temem a entrada ilegal da semente no Estado. O chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal, do Departamento de Fiscalização Agropecuária da Secretaria de Agricultura do Paraná, Carlos Alberto Salvador, disse que o setor já atua na fiscalização das lavouras paranaenses para coibir o plantio de transgênicos e agora ampliará seu trabalho para a semente suicida.
“A lei federal proíbe qualquer tipo de pesquisa e introdução de semente terminator no Brasil, mas teremos que estar atentos a qualquer tipo de pesquisa ilegal em solo paranaense. Estamos discutindo medidas de prevenção para evitar que essa tecnologia atinja as nossas lavouras”, explicou Salvador. No Paraná, a fiscalização das lavouras é feita através de 20 escritórios regionais no estado, onde 109 fiscais atuam exclusivamente no monitoramento e identificação de lavouras transgênicas.
O técnico da Secretaria do Meio Ambiente do Paraná, Paulo Roberto Castella disse que o estado tem condições legais de impedir que a semente terminator seja testada no Paraná, independente da postura nacional ou da decisão da COP8. Ele defende rigidez absoluta nas medidas para evitar que a semente seja introduzida no solo paranaense, também por causa da contaminação ambiental. “Entre os principais riscos desta semente está a contaminação de plantas naturais. O pólen desta semente pode espalhar-se rapidamente trazendo impactos na flora”, explicou Castella.
Investimento - A semente terminator vem sendo introduzida no mercado mundial há aproximadamente dois anos. O investimento para sua criação teria sido alto. “Algumas agências internacionais especulam que apenas o gene da semente terminator custou à multinacional Monsanto U$ 1 bilhão. Este investimento só foi feito com a certeza do retorno a curto prazo. E este retorno é garantido, porque todo os anos o agricultor terá que comprar sementes, sem poder utilizar o grão colhido”, alertou Paulo Roberto Castella..
O próprio governador Roberto Requião manifestou sua preocupação em relação à terminator. Em seu discurso na abertura da COP8, na segunda-feira, ele fez referência à pressão da indústria da biotecnologia neste sentido. “Vimos na MOP3, e o assunto deve se estender à COP8, a pressão da indústria de biotecnologia para que sejam flexibilizadas as restrições aos testes de campo e à produção comercial da semente conhecida como terminator. A semente suicida. É o próximo passo da estratégia das transnacionais para controlar a produção e a comercialização das sementes, depois da tentativa de contaminar o mundo todo com a semente transgênica. É mais um passo das transnacionais para deter o domínio total da produção de grãos”, disse Requião.
Campanha – Na manhã desta terça-feira (21), representantes de movimentos sociais internacionais debateram a necessidade de uma campanha contra a introdução da semente suicida no Brasil. A discussão ocorreu durante o Fórum Global da Sociedade Civil – evento paralelo à COP8.
De acordo com representante da Organização Não Governamental Terra de Direitos, Darci Frigo, o posicionamento do governo do Paraná contra os transgênicos é fundamental e pode auxiliar na manutenção da posição do Brasil para que não permita pesquisas nesta área. “Com o posicionamento do governador Roberto Requião, a possibilidade de controle é maior, mas precisamos garantir que a legislação de biossegurança nacional seja mantida”, disse Frigo. Ele explicou ainda que com a atual lei federal não há possibilidade da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) avaliar nenhum tipo de pedido relacionado a semente suicida.
A coordenadora do Projeto “Sementes, Patrimônio dos Povos a Benefício da Humanidade” pela Via Campesina do Chile, Francisca Rodriguez, disse que este modelo entrega a soberania alimentar dos países para as transnacionais que dominam a tecnologia da semente terminator.
“Quando falamos de soberania alimentar, falamos do direito do nosso povo. Sem a semente não há soberania. As sementes são um patrimônio da humanidade, que não pode ser privatizado”, finalizou Francisca.
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Imagens associadas
Forum Global da Sociedade Civil- Semente suicida. Da esq. para a dir.: Lorenzo Muelas da Colombia, Hope Shand Grupo ETC US, Silvia Ribeiro Campanha Ban Terminator México, Franciaca Rodriguez ANAMURI Via Campesina Chile, Paul Nicholson País Basco Via Campesina e Clement Chipakolo. África Biodiversity Network- Pelum Zâmbia.
Curitiba, 21-03-06 - Forum Global da Sociedade Civil- Semente suicida. Da esq. para a dir.: Lorenzo Muelas da Colombia, Hope Shand Grupo ETC US, Silvia Ribeiro Campanha Ban Terminator México, Franciaca Rodriguez ANAMURI Via Campesina Chile, Paul Nicholson País Basco Via Campesina e Clement Chipakolo. África Biodiversity Network- Pelum Zâmbia. Foto Julio Covello-SECS
Curitiba, 21-03-06 - Forum Global da Sociedade Civil- Semente suicida. Da esq. para a dir.: Lorenzo Muelas da Colombia, Hope Shand Grupo ETC US, Silvia Ribeiro Campanha Ban Terminator México, Francisca Rodriguez ANAMURI Via Campesin Chule,Paul Nicholson País Basco Via Campesina e Clement Chipakolo. Africa Biodiversity Network- Pelum Zambia. Foto Julio Covello-SECS
Curitiba, 21-03-06 - Forum Global da Sociedade Civil- Semente suicida. Silvia Ribeiro Campanha Ban Terminator México
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