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22/03/2006
Agenda 21 Paraná promove seminário sobre biodiversidade

A criação de agendas locais para que os municípios possam proteger o meio ambiente, ao mesmo tempo em que promovem o desenvolvimento sustentável, é uma saída eficiente para a solução dos problemas ambientais. Esta opinião é compartilhada pelo secretário do Meio Ambiente Luiz Eduardo Cheida e o presidente do Instituto Ambiental do Paraná Rasca Rodrigues.

Agenda local é uma das discussões do grupo da Agenda 21 no Paraná. O assunto tem interessado cada vez mais os paranaenses preocupados com o meio ambiente, segundo Cheida. “Ninguém é contra o desenvolvimento sustentável, mas na prática quase tudo é feito de forma contrária. Isso acontece porque pobreza e miséria não se coadunam com preservação ambiental”.O secretário observa que o planejamento é uma forma de se evitar as contradições entre preservação ambiental e pobreza.

O presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Rasca Rodrigues, também reforça a importância da criação de agendas locais como um mecanismo prático de interferir positivamente sobre o meio ambiente. “A pesquisa das demandas e sugestão de ações e datas para seu cumprimento têm se mostrado uma maneira eficiente e participativa de atingir os anseios das comunidades”, afirmou.

A criação de agendas locais foi um dos temas discutido nesta terça-feira (21), no museu Oscar Niemeyer, onde se realizou o seminário sobre os Desafios da Biossegurança e da Biodiversidade. O evento fez parte da programação paralela à Conferência da ONU, que está acontecendo no Paraná até o dia 31 de março. Durante a reunião também foi realizada o 15ª Fórum Permanente da Agenda 21 Paranaense.

O evento ainda contou com a participação do coordenador do Centro de Apoio às Promotorias do Meio Ambiente do Ministério Público, Saint Claire Honorato Santos, que apresentou algumas propostas que serão encaminhadas aos municípios, como a elaboração de planos locais de recuperação da mata ciliar e de arborização urbana. “Desta forma iremos proporcionar conforto ambiental e promover a interação da sociedade e prefeituras pelo bem da natureza”, ressaltou.

Durante o seminário foram feitas apresentações sobre biodiversidade e biossegurança, apresentando aos participantes os principais conceitos sobre os temas. O representante das comunidades indígenas Kaka Wera, da tribo Guarani de São Paulo, realizou um rito da biodiversidade, em que demonstrou como os povos indígenas trabalham as questões ligadas aos recursos naturais. “Todos acham que a principal necessidade dos índios é a regularização fundiária. Mas isso não é verdade”, disse. “A maior preocupação dos povos indígenas é manter a sua cultura através de três eixos: os valores, a biodiversidade e o ‘sagrado’. O sagrado significa que sabemos que há algo maior e que devemos respeitá-lo”, explicou.

A doutoranda e professora da Universidade Tuiuti do Paraná, Maria Cristina Borges da Silva, encerrou o evento com o tema “Diversos olhares sobre a biodiversidade”, no qual foi citada a destruição da camada de ozônio, o aquecimento global, contaminação através do mercúrio, exploração de minério a céu aberto e outros fatores que ameaçam a biodiversidade no planeta. “Essa é uma discussão que pode ser levada à sociedade por meio da pesquisa, da conscientização, da ação do Ministério Público, Justiça Federal, Ibama e IAP, pois são instrumentos que estão ligados à condição de proteção de recursos naturais”, afirmou.

Agenda 21 - A Agenda 21- principal documento da reunião realizada em uma das mais importantes conferências da ONU realizada no Rio de Janeiro, em 1992, é resultado de uma associação de ideais para a sociedade global. O documento foi assinado por mais de 170 países que assumiram o compromisso de buscar o desenvolvimento sustentável, justiça social e equilíbrio ambiental.

Entre as ações já realizadas pela Agenda 21 Paraná está a instalação do Fórum Permanente - reuniões periódicas entre os 58 representantes de instituições públicas e privadas, que elaboram propostas locais visando a conservação dos recursos ambientais.

 

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