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28/03/2006
Governo prepara lei para combater espécies exóticas em Unidades de Conservação
Principal causa de perda de biodiversidade nas Unidades de Conservação, as espécies invasoras estão na mira do Governo do Estado. Um projeto de lei do Executivo a ser encaminhado para a Assembléia Legislativa pretende erradicar as espécies animais e vegetais que ameaçam as Unidades do Paraná. Será o primeiro projeto do gênero no país, segundo o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), João Batista Campos.
O projeto se baseia em uma portaria do IAP que começou a vigorar em setembro do ano passado que estabelece prazos para a erradicação de espécies como a árvore pinus, a gramínea brachiaria e a uva-do-japão, que já se espalharam por várias Unidades paranaenses. “Estas espécies têm uma capacidade de disseminação muito grande, e diminuem a biodiversidade local ao tomarem o lugar das espécies nativas”, explica João Batista.
O projeto está em fase final de redação (a normatização do controle dos invasores em Unidades de Conservação já está concluída, mas falta definir as responsabilidades da iniciativa privada no controle das espécies exóticas).
Pinus - Matéria-prima da indústria madeireira e mobiliária, o pinus é o grande vilão para a vegetação nativa dos Campos Gerais, onde se espalhou rapidamente devido à abundância de sol e à facilidade de dispersão de suas sementes pelo vento. No Parque Estadual de Vila Velha as sementes provenientes de propriedades no entorno da Unidade dificultam a erradicação desta árvore e dependem da colaboração dos proprietários para evitar futuras contaminações.
“Embora a eliminação total destas espécies seja difícil, com o manejo adequado das plantações nos entornos das unidades, é possível controlar as invasões”, diz Batista, que ressalta a importância da parceria com a iniciativa privada para evitar a contaminação. Em Vila Velha, o IAP firmou um convênio com a Associação Brasileira de Reflorestamento para garantir orientação aos proprietários de terras vizinhas. No Parque Estadual do Cerrado, em Jaguariaíva, foi a própria empresa madeireira proprietária de uma plantação de pinus que tomou a iniciativa de se responsabilizar por árvores que viessem a crescer nas áreas protegidas.
Gramíneas e frutas exóticas – Cultivada em larga escala para servir de pasto para gado, a gramínea brachiaria (lê-se “braquiária”) também ameaça a vegetação nativa dos Campos Gerais. Agressiva em sua velocidade de crescimento e expansão, a braquiária está sendo combatida no Parque de Vila Velha através do abafamento por lonas pretas e plantação imediata de sementes nativas, uma idéia bem-sucedida desenvolvida pela bióloga Silvia Ziller, uma especialista internacional em espécies exóticas.
Áreas de floresta, como o Parque Estadual de Campinhos, são especialmente suscetíveis à uva-do-japão, que transformou-se em uma praga de difícil controle, dada a facilidade de reprodução através das pássaros que se alimentam da fruta e disseminam as sementes através das fezes.
Animais invasores – Também espécies animais representam uma ameaça para a biodiversidade e estão na mira do novo projeto para evitar a contaminação das áreas de conservação no Estado. A fuçada vigorosa do javali revolve o solo com violência, destruindo a vegetação nativa em parques como o de Vila Velha.
As áreas de conservação do Litoral são pródigas em espécies invasoras. Na Ilha do Mel, gatos domésticos que voltam ao estado selvagem também causam dor-de-cabeça à comunidade, ameaçando a biodiversidade local. O mesmo se pode dizer do caramujo-africano, introduzido no Brasil na década de 1980 – rejeitado pela gastronomia nacional, e sem predadores nativos, multiplicou-se descontroladamente por todo o país. Evitar que estas espécies comprometam a biodiversidade das UCs é o grande desafio do novo projeto.
Copel faz campanha para evitar invasão de molusco - O mexilhão-dourado está entre as principais ameaças à biodiversidade dos rios paranaenses. Introduzido na Bacia do Prata em 1998, por meio da água de lastro de navios asiáticos, o mexilhão avança cerca de 400 quilômetros rio acima todos os anos. Alcançou a Bacia do Paraná em 2001, contaminando áreas do Pantanal e de rios de São Paulo.
Além de se constituir em ameaça à sobrevivência de espécies nativas, o molusco pode trazer sérios prejuízos econômicos a todas as atividades envolvidas na utilização de recursos hídricos no Paraná. A Usina de Itaipu há cinco anos obriga-se a incluir a remoção de mexilhões de suas turbinas nas manutenções periódicas
Campanha de esclarecimento – Como ainda não foi descoberto um modo eficaz de combater o mexilhão-dourado, resta ao poder público a opção de investir na prevenção da contaminação dos rios ainda não afetados. No Rio Iguaçu, afluente da Bacia do Prata, uma parceria entre a Copel e o Lactec realiza a coleta e análise trimestral de amostra de água dos 18 reservatórios da companhia de energia.
Para evitar a entrada do mexilhão-dourado e de outras espécies não-nativas, a Copel também promove campanhas de orientação junto aos moradores das comunidades ribeirinhas no entorno de reservatórios das usinas hidrelétricas. Barcos de pescadores provenientes de áreas onde se encontra o mexilhão são os mais visados pela campanha, que através de folhetas busca orientar os pescadores a realizar a limpeza de suas embarcações antes de adentrar rios indenes.
O transporte de areia de margens de rios do Rio Paraná para constituir praias nos afluentes não-contaminados também está no foco de ação da campanha. Isto porque o mexilhão dourado pode sobreviver até dez dias fora d’água, desde que em locais úmidos.
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Imagens associadas
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