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12/03/2006
Requião critica concessão de áreas na Amazônia para exploração sustentável de multinacionais

O governador Roberto Requião criticou, neste domingo (12), durante a abertura do Seminário Internacional “A Implementação do Princípio da Precaução do Protocolo de Cartagena de Biossegurança”, realizado no auditório do Museu Oscar Niemeyer, a concessão feita pelo governo federal que permite as multinacionais a exploração sustentável da Amazônia por um período de 40 anos.
“Quero manifestar minha tristeza em relação as medidas que o governo brasileiro vem tomando na Amazônia. Nós vivíamos preocupados com a Amazônia com medo que fosse invadida e continuasse figurando em mapas escolares dos países mais desenvolvidos. E de repente isso se tornou uma trágica realidade”, disse o governador Roberto Requião. Segundo ele, a concessão de áreas “fantásticas” para a exploração de multinacionais significa o início do fim da Amazônia brasileira e da sua biodiversidade.
“Estão rotulando este processo como se o interesse coorporativo das multinacionais fosse uma ferramenta necessária para preservação da biodiversidade, mediante a exploração sustentável. Esta atitude não tem nada de sustentável e garantirá apenas a sustentabilidade das bolsas de valores”, afirmou Requião.
Transgênicos - O governador falou ainda sobre o posicionamento que o Paraná levará as plenárias e reuniões da 3ª Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP3), conferência da Organização Nações Unidas (ONU), que acontece em Curitiba a partir de segunda-feira (13).
“No Paraná nós estamos lutando pelo princípio da precaução e defendemos a rotulagem “Contém OVM” (organismo vivo modificado) para os carregamentos e movimentação transfronteiriça de produtos transgênicos. É uma rotulagem mais explicativa e diferente da rotulagem que o agronegócio espera, que é a expressão “pode conter OVM”, ressaltou o governador.
O gerente de recursos Genéticos do Ministério do Meio Ambiente, Rubens Nodhari, disse estar satisfeito pela a escolha do Paraná como sede da MOP3.
“São discussões importantes para o Brasil porque o principio da precaução está na Lei de Biossegurança federal e no Protocolo de Cartagena. No Paraná há uma preocupação nítida com o principio da precaução, com o meio ambiente, com os agricultores e a sociedade”, disse Nodhari.
Requião falou sobre a luta contra a patente das multinacionais sobre as sementes geneticamente modificadas e pagamento de royalts. “A briga contra a transgenia é forte e enfrenta o setor de agronegócio no Paraná, mas muitos agricultores e cooperativas já aderiram ao plantio do grão convencional devido aos prejuízos acumulados”, explicou o governador. Além disso, Requião explicou que o Porto Paranaense em Paranaguá – primeiro porto do mundo em exportação graneleira – não exporta grãos transgênicos e, mesmo assim, ampliou sua receita cambial de U$ 4 bilhões para U$9 bilhões.
“A transgenia entrou no Brasil contrabandeada da Argentina sem custo e sem preço. Os brasileiros que plantaram soja transgenica no Paraguai tiveram sua safra quebrada em 70% e ainda pagaram U$3,20 por hectare colhido de royalts”, lembrou o governador. As variedades de soja convencional são consideradas mais resistentes e suportam até oito dias sem chuva, diferentemente da soja transgenica.
Requião deixou claro ainda que apesar deste posicionamento contrário ao plantio e exportação de transgenicos o Paraná defende a pesquisa e o principio da precaução.

Seminário - O Seminário Internacional “A Implementação do Princípio da Precaução do Protocolo de Cartagena de Biossegurança: O que podem fazer a ciência e os cientistas?” - discutiu o princípio da precaução, atual processo da avaliação de risco, e como uma ciência de precaução pode ser aplicada para avaliar riscos de organismos geneticamente modificados para o meio ambiente e para a saúde. O evento foi direcionado apenas aos delegados brasileiros e estrangeiros participarão das discussões da MOP 3.
O vice - governador e secretário da Agricultura Orlando Pessuti, disse que o governo do Paraná nestes últimos três anos tem procurado deixar claro o principio e o sentido da precaução. “Através dos órgãos estaduais de extensão rural como a Emater e com o apoio técnico do IAPAR e Classpar nós estamos fiscalizando as lavouras e mostrando aos agricultores as vantagens da produção convencional”, disse Pessuti.
Entre os palestrantes especialistas como Miguel Pedro Guerra, da Universidade Federal de Santa Catarina; Miguel Altieri, Universidade da Califórnia, Terje Traavick; Instituto Norueguês da Ecologia do Gene Jack Heinemann, Universidade de Canterbury, Nova Zelândia, Hugh Lacey, Universidade de Swarthmore, EUA. Após o evento, o governo vai oferecer no local uma recepção de boas-vindas para os participantes da MOP3.
O governador finalizou seu discurso recepcionando os delegados dque participarão, a partir desta segunda-feira (13) da MOP3. “Sejam bem vindos ao Paraná, que será o berço de discussões e momento em que todos os países do mundo estarão firmando um novo compromisso voltado ao equilíbrio ecológico do planeta O governo do Paraná recebe com muita alegria a COP8 e a MOP3”, finalizou Requião.




 

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