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14/03/2006
Comunidade indígena defende resistência à globalização e OGM
Representantes indígenas defenderam ontem (14) a resistência das suas comunidades à globalização econômica e a questão dos transgênicos. Foi durante evento paralelo aos trabalhos da 3ª Reunião das Partes da Convenção Sobre Biossegurança do Protocolo de Cartagena, no estande do Fórum Global da Sociedade Civil, na Expo Trade Center, em Pinhais, nesta terça-feira (14).
O encontro foi realizado em conjunto com o lançamento do livro “Guerra de Paradigmas”, co-editado por Jerry Mander e Victoria Tauli Corpuz, e que trata exatamente da resistência dos povos indígenas à globalização. “A gente pode compartilhar dos novos conceitos, da modernidade, das novas tecnologias, mas sem deixar de ser indígena”, declarou o autor de um dos textos do livro e Membro do Comitê Intertribal, Marcos Terena.
Segundo ele, durante a COP8, que começa no próximo dia 20 e vai até o dia 31, a comunidade indígena vai defender que a biodiversidade é um direito coletivo, e não um privilégio do mercado.
Entre os prejuízos sofridos pelos indígenas com a globalização, Terena cita em primeiro lugar a anulação do direito de ser etnicamente diferenciado. “Quando você fala índios, anula 180 línguas aqui no Brasil, 230 sociedades complexas com todos os seus sistemas políticos, quando na verdade estes fatores teriam que dar uma cara nova para o nosso país”, explicou.
Outra questão importante, de acordo com ele, é considerar as terras indígenas como um celeiro de biodiversidade, onde o cientista indígena, o pajé, seja considerado um sábio, um cientista que pode contribuir com os remédios para, por exemplo, a cura do câncer e da AIDS. “Nós acreditamos que vamos chegar a este ponto”, disse. No Paraná, segundo ele, os povos indígenas perderam muito de seus valores originais, mas mantêm a língua e a espiritualidade.
Transgênicos – Terena contou ainda que durante a conferência, eles vão se reunir com a comunidade científica para discutir transgênicos e projetos como hidrovias. “Os pajés, os caciques ainda não acreditam que o homem conseguiu criar uma semente suicida - que dura hoje e morre amanhã”, afirmou.
Para a presidente da Cooperativa das Mulheres Extrativistas do Marajó (Pará) e representante do Fórum Internacional das Comunidades Locais para Biodiversidade no âmbito da Convenção de Diversidade Biológica (CDB), Edna Marajoara, também presente ao evento, a esperança era de que o Brasil aceitasse a posição da rotulagem – contêm transgênicos – desde já.
“Para nossa surpresa vem a posição do governo e pede quatro anos para que isso seja implantado. O governo Lula só adiou. Nós temos medo da soja transgênica e, como consumidores, temos que saber o que estamos comprando no mercado”, disse.
Durante a conferência de Biodiversidade e Biossegurança, a comunidade vai inaugurar ocas para mostrar a arquitetura dos povos indígenas. A inauguração está marcada para esta quinta-feira (16), ao pôr-do-sol.
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