Página Inicial Arquivo de Notícias Español English  










Banner Portal Governo do Paraná

 


 
15/03/2006
Vítimas de transgênicos na América Latina levam seu drama à MOP 3

Com lágrimas nos olhos e pedindo justiça, Petrona Villasboa, paraguaia, fala do filho Silvino Talavera, de 11 anos, morto em 2004, segundo ela, em conseqüência das pulverizações de glifosato nas lavouras de soja transgênica em seu país. Integrante de uma organização camponesa e indígena que reúne 4 mil pessoas, a Conamur, e participante da MOP 3 (3ª Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança ), ela contou nesta quarta-feira (15) como levou ao Ministério Público paraguaio a denúncia contra fazendeiros locais pelo assassinato do seu filho, num caso que pode transformar na primeira vitória do gênero em toda a América Latina .
Mesmo com análises clínicas comprovando a contaminação do filho, os empresários envolvidos recorreram. “Mas já ganhamos em duas instâncias, uma vitória sem precedentes para os camponeses”, comemora Petrona. Como o filho, ela própria está doente. “Sou de uma família de 11 pessoas e todos estamos contaminados”, conta. Eles têm alergias constantes, dores de cabeça, vômitos e problemas sangüíneos.
Com o título “A responsabilidade corporativa dos cultivos transgênicos”, membros da chamada Rede Integrada por uma América Latina Livre, composta por representantes de agricultores, indígenas e vítimas dos impactos ambientais da soja transgênica no continente, apresentaram nesta na conferência as possíveis conseqüências do agronegócio calcado no uso de sementes transgênicas. Segundo a rede, a Convenção da Biodiversidade não consegue frear as políticas de mercado expressadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
Argentina
Enquanto agricultores começam a se unir no Paraguai, na Argentina, as proporções do uso de transgênicos ganham título de “emergência sanitária”. Na segunda maior cidade do país, Córdoba, um bairro inteiro cercado por plantações de soja transgênica foi considerado “inabitável” pelo Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas da Argentina.
“No meu bairro, de 5 mil habitantes, há mais de 400 doentes com vários tipos de câncer e casos de leucemia”, diz Sofia Gatica, moradora do bairro contaminado Ituzaingó, que perdeu uma filha por câncer. “Temos casos de crianças nascidas com deformidades, sem dedos e mandíbulas. A soja transgênica é plantada aqui há pelo menos 20 anos e os problemas de saúde na população, todos já provados pelos médicos, começaram há cinco anos,” conta.
Unidas pela dor, Petrona Villasboa e Sofia Gatica esperam mais que apenas chamar a atenção das autoridades durante a MOP 3. “A busca sem limites por lucros com o uso de transgênicos, além de empobrecer nossos solos, está vitimando as pessoas, tudo explicitamente, às claras aos governos”, fala Sofia.
Em Córdoba, as pulverizações dos aviões foram as maiores responsáveis pela contaminação. “Nossas caixas d’água foram envenenadas”, relata. O poder público municipal, segundo ela, omitiu-se. “Em vez de a monocultura da soja transgênica ser restrita, o governo municipal rechaçou qualquer estudo sobe este tema.”
Atualmente, a Argentina é o segundo maior exportador de soja transgênica do mundo. De acordo com os ambientalistas, a América Latina em geral não está consciente dos perigos do avanço da transgenia entre os países. “As vítimas reunidas aqui em Curitiba são um apelo para mudanças urgentes”, aspira Sofia


 

Atualizado constantemente
Copyright © 1997 - Secretaria de Estado da Comunicação Social - SECS
Palácio Iguaçu - Praça Nossa Senhora da Salete, s/n - 80530-909 - Curitiba - Paraná - Telefone: (41) 3350-2611