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15/03/2006
ONGs pedem a CNTBIO que não libere plantio de milho transgênico

Organizações não Governamentais, entidades e movimentos sociais ligados ao Fórum Global da Sociedade Civil, evento paralelo à 3ª. Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, discutiram nesta quarta-feira (15) o perigo da liberação comercial da produção do milho transgênico. O objetivo é sensibilizar os agricultores para a redação de uma carta que deve ser encaminhada à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBIO), onde tramitam cinco pedidos para liberação comercial da cultura.

O principal argumento dos organizadores do evento é de que não há medida de biossegurança que impeça a contaminação de outras espécies com a plantação do milho transgênico. Pela sua própria característica de polinização, ela contamina facilmente lavouras não transgênicas de milho ou outras culturas. Segundo Luiz Gonçalves, da Ecotopia (Associação Cooperativa de idéias e soluções para o ecodesenvolvimento), um dos debatedores da tarde, “o pólen de milho é levado a até 1,5 quilômetro de distância em condições normais”.

Para ilustrar a questão, a ONG Terra de Direitos trouxe dois palestrantes estrangeiros, cujos países sofreram com a contaminação depois da plantação de milho e algodão transgênicos. De acordo com Alberto Gomes, da Via Campesina do México, o país, que depende quase exclusivamente da plantação do milho crioulo, hoje tem toda a sua produção comprometida.

“A primeira leva de milho importado veio em 1998 dos Estados Unidos para o México através de um programa de ajuda alimentar. Esse milho não identificado foi introduzido na produção. A contaminação foi descoberta através de pesquisas apenas em 2002”, afirmou.

Na África do Sul, conforme explicou a pesquisadora Mariam Mayet, do African Center for Biosafety, a polinização cruzada do algodão transgênico, cuja plantação havia sido liberada pelo governo local, fez com que houvesse um alto nível de contaminação de lavouras convencionais dois anos depois do início do cultivo.

Para Cledecir Zucchi, da Via Campesina em Santa Catarina, todos esses problemas de contaminação mostram o grande impacto ambiental e econômico causado pelos transgênicos. “Essa lógica das grandes empresas na pesquisa dos transgênicos vai trazer grandes problemas de impacto ambiental, podendo inclusive destruir lavouras e a economia, endividando os pequenos agricultores e campesinos”, concluiu.


 

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