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16/03/2006
ONGs defendem lavoura tradicional e recusam
Manter a agricultura familiar protegida, não receber ajuda humanitária com alimentos trangênicos e ter o direito de continuar praticando a agricultura tradicional foram as maiores reivindicações dos palestrantes da manhã desta quinta-feira na tenda de discussões do Fórum Global da Socidade Civil, evento paralelo à 3ª. Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP3).
Na Indonésia, até os alimentos doados para a população atingida pelo Tsumani não estavam livres de transgênicos. “Nós não queremos nos alimentar com sementes geneticamente modificadas, mas nossas fazendas são muito pequenas e não conseguem ficar isoladas. Além disso, importamos muito dos Estados Unidos, Argentina e Brasil”, contou Teja Pramano, representante dos agricultores da Indonésia.
Para o brasileiro Rui Valença, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), o Brasil rural sofre há anos com as revoluções no campo. “Primeiro foi o êxodo rural que obrigou milhares de famílias a irem para as cidades e agora a falta de opção para com os transgênicos. Felizmente, o Paraná lidera uma luta que alerta produtores e possibilita uma ampla discussão sobre as áreas livres de transgênicos”, confirmou.
De acordo com o representante do Greenpeace Internacional, Benedikt Haerlin, a grande luta na Europa é manter as sementes livres de transgênicos. “Os consumidores europeus não querem se alimentar com transgênicos, no entanto, os supermercados são altamente pressionados a comprar alimentos produzidos com organismos geneticamente modificados. Da mesma forma, a ração animal é produzida com transgênicos e o leite, a carne e os ovos não recebem a rotulação correta”, alertou.
A preocupação dos que tentam evitar a total contaminação das sementes transgênicas em todo o planeta se refere à facilidade como esta contaminação ocorre. “As sementes de milho, principalmente, são facilmente contaminadas. Os agricultores que praticam a agricultura tradicional não conseguem ficar ilhados e dificilmente resistem às pressões do mercado”, argumentou Haerlin.
Outro fator importante é quanto aos equipamentos utilizados na agricultura. Se um mesmo produtor tiver lavouras transgênica e tradicional, terá de ter obrigatoriamente colheitadeiras e silos separados. Isso eleva enormemente os custos inviabilizando economicamente a fazenda. “Na Europa as fazendas são muito menores que as brasileiras e os agricultores têm dificuldades em se manter livres dos transgênicos”, reforçou o representante do Greenpeace.
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