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17/03/2006
Inaugurada mini-aldeia no evento da ONU

O secretário de Estado de Assuntos Estratégicos Nizan Pereira participou no começo da noite desta sexta-feira (17) da inauguração do Parque Temático Rio-Paraná 2006, uma mini-aldeia com ocas indígenas, local que será palco de grandes discussões durante a Conferência da ONU sobre Biodiversidade (COP8), que começará nesta segunda-feira, 20.

“O Brasil está perdendo a vergonha da sua origem. Foram 506 anos de violência física, territorial e sexual contra o povo indígena. Temos que nos dar conta de que 60% do genoma dos brasileiros é de origem indígena. No Paraná, por exemplo, todos os picos das montanhas têm nomes indígenas. Além disso, o nomes dos grandes rios do Paraná e várias cidades também são indígenas. E isso não é gratuito, a presença indígena está muito forte na nossa vida”, disse o secretário na cerimônia de inauguração do parque. Pajés de várias tribos do mundo abençoaram o local e fizeram ritos religiosos para marcar a inauguração.

O coordenador geral do evento indígena, o índio Marcos Terena, da tribo Terena, do Mato Grande do Sul, disse que o apoio do Governo do Estado foi fundamental para a realização deste encontro. “Sem a ajuda do Governo nós jamais poderíamos construir toda essa estrutura. Não tínhamos dinheiro para construir as ocas. É deste tipo de parceria que nós precisamos”, disse.

Na segunda feira, 20, dia que começam oficialmente os trabalhos da COP8, os indígenas vão fazer o rito do fogo sagrado. Eles vão acender uma tocha que vai durar as duas semanas do evento.


Programação intensa – As Ocas indígenas do lado de fora do Expotrade Center serão palco de um grande encontro dos povos de 60 países da cintura geográfica dos trópicos a partir da próxima segunda-feira (20). A promoção é da ONG Iniciativa Equatorial, em parceria com outras organizações não governamentais, universidades e com participação de alguns países representados na 8ª. Conferência da ONU sobre Biodiversidade (COP 8). De 20 e 3O de março, sempre à tarde, haverá programação, com palestras, debates, cerimônias e atividades culturais. Na segunda-feira, às 9h, os indígenas farão uma cerimônia especial na área da aldeia para acender o fogo sagrado que iluminará seus eventos até o final da COP 8.

O parque temático “Rio Paraná 2006”, como é chamada a aldeia construída na área do Expotrade onde acontecerá o encontro, tem ocas com a arquitetura do povo Xavante. A construção teve o apoio da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos do Governo do Paraná e da Celepar.

Nesse espaço, comunidades dos trópicos – com características geográficas similares - discutirão entre si, com líderes comunitários, políticos e interessados em geral, temas relativos aos assuntos tratados nas reuniões oficiais: Biodiversidade nas ilhas do mundo, Metas e objetivos para o milênio sobre biodiversidade, Negócios sustentáveis, e Diálogo global e local com líderes comunitários e locais.

As mesas de debates são abertas a todos que se inscreverem. Os facilitadores e coordenadores das mesas são pessoas ligadas às ONGs. Esses grupos de trabalho se reúnem em todos os grandes eventos da Organização das Nações Unidas, com a intenção de trocar experiências, informações e pesquisas.

Do Paraná, participam representantes dos povos Kaingang, Guarani e Xetá. Do resto do Brasil, vieram para o evento índios das tribos Karajá, do Tocantins; Terena, do Mato Grosso Sul; Xavante e Ñambikwara, do Mato Grosso: e Assurini, do Pará. Estão em Curitiba ainda lideranças indígenas de países da Oceania, Ásia, Europa, África e Américas.


Governo do PR prioriza povos indígenas
O respeito e o investimento na inserção social dos povos indígenas está entre as prioridades das políticas do Governo Requião para as minorias. São programas que, entre outras metas, garantem habitação, o desenvolvimento das aldeias e a melhoria da educação dos índios.

O programa da Casa da Família Indígena, gerenciado pela Cohapar, é um dos maiores programas de habitação indígena em execução no Brasil. Há algumas semanas, Requião anunciou o investimento de R$ 5,3 milhões na terceira fase do programa, que terá mais 350 moradias em 15 municípios. O programa foi premiado com o Selo de Mérito pela Associação Brasileira de Cohabs (ABC).

Além disso, a Cohapar está entregando as obras de 955 unidades, onde que foram investidos R$ 9,2 milhões. Com a terceira fase, o Casa da Família Indígena soma investimentos de R$ 14,5 milhões.

O programa foi implantado em 2003 para resolver a carência de moradia nas aldeias indígenas paranaenses. Para isso, a Cohapar convocou lideranças dos povos e indigenistas, que trabalharam lado a lado com os arquitetos e engenheiros da empresa no desenvolvimento dos projetos.

Os resultados são casas que respeitam as características e tradições culturais dos índios, sem abrir mão da infra-estrutura de uma residência moderna. Há dois projetos diferentes — um para a etnia Guarani, outro para a Kaingang. Cada moradia tem 52 metros quadrados, dois quartos, sala, cozinha, banheiro externo, varanda e instalações elétrica e hidráulica completas. As casas são construídas em alvenaria e madeira e são cobertas com telhas cerâmica.

Universidades – O Governo Requião ainda aumentou o número de vagas reservadas aos índios nas Universidades Estaduais Paranaenses. Pela Lei nº 14995, de 9/1/2006, sancionada pelo governador Requião, ficaram asseguradas seis vagas, como cota social indígena, em todos os processos seletivos para o ingresso como aluno nas universidades estaduais públicas do Paraná, em Ponta Grossa (UEPG), Londrina (UEL), Maringá (UEM), Guarapuava (Unicentro), Cascavel (Unioeste) e Jacarezinho e outros municípios (Unespar). Até o ano passado, quando o concurso foi realizado em Londrina, cada instituição reservava aos índios apenas três vagas.

 Imagens associadas

O cacique xavante Tobias Tsereemimiriay. Foto Julio Covello SECS.
O cacique xavante Tobias Tsereemimiriay. Foto Julio Covello SECS.

 

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