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20/03/2006
Índios acendem fogo sagrado para abençoar COP 8
Com as bênçãos do chamado “fogo sagrado”, os índios Karajá, do Estado do Tocantins, participaram da cerimônia de abertura dos trabalhos da 8ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 8), em Pinhais, nesta segunda-feira (20). Pintados e vestidos com penas simbolizando a fauna e a flora, o fogo serviu para “iluminar e levar as coisas ruins embora”, disse o coordenador geral do evento indígena, o índio Marcos Terena, da tribo Terena, do Mato Grande do Sul.
Convidados para uma apresentação na plenária do evento, em frente ao governador Roberto Requião, à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ao prefeito de Curitiba, Beto Richa e aos membros de 183 países participantes, os índios pediram ações concretas para a preservação da humanidade.
Ao lado do Expotrade, local do evento, foi construído o parque temático “Rio Paraná 2006” - aldeia construída com ocas seguindo a arquitetura do povo Xavante. A construção teve o apoio da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos do Governo do Paraná e da Celepar.
Ao longo da semana, participam da conferência representantes dos povos Kaingang, Guarani e Xetá, vindos do Paraná. Do restante do Brasil, além dos Karajá, vieram os Terena, do Mato Grosso Sul, Xavante e Ñambikwara, do Mato Grosso, e Assurini, do Pará. Estão em Curitiba ainda lideranças indígenas de países da Oceania, Ásia, Europa, África e
Américas.
Resistência: Idjawala Karajá, 22 anos, é índio da tribo karajá. Vivendo em uma reserva indígena a 400 km de Palmas, capital do Tocantins, Karajá fala que a perda da identidade do seu povo é um dos maiores problemas enfrentados. “O branco oferece dinheiro para alugar áreas para o pasto de gado. Com isso, o índio deixou de plantar e hoje prefere comprar”, explica.
Identidade é também a palavra dos 62 índios Guarani, de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. Vindos de Mangueirinha e à espera da demarcação de sua área indígena em Piraquara, a tribo encontrou no resgate de antigos costumes a sua sobrevivência. “O artesanato permitiu uma vida próxima à cidade, em lugar da bebida e da exploração que vivíamos”, disse uma artesã que preferiu não se identificar.
Mundo - Com trajes em couro e botas forradas, a russa Tatyana Degai se destaca entre os grupos indígenas internacionais. Vinda de Kamchatka, região ao lado do Pacífico, Tatyana representa uma entidade que engloba o Norte, Noroeste e a Sibéria do seu país. Seguindo exemplos encontrados em todo o mundo, os povos indígenas da Rússia também não foram poupados em seu próprio território. “Somos menos de 2 mil índios, sofrendo influências do restante da Europa e a discriminação dos demais russos, além da poluição provocada pelas empresas até em nossa comida”, descreve.
Com usinas de refino de óleo, a Sibéria sofre graves impactos ambientais. “Nossos peixes estão contaminados de óleo e já temos casos de câncer em nosso povo”, acrescenta a russa.
Direitos indígenas e ambientais formam a causa defendia pela representante dos Saami, um grupo indígena que envolve os países da Noruega, Suíça e Finlândia, Gunn-Britt Retter. Para ela, é preciso pressionar para fazer diferença. “Somos parte de tudo o que está sendo discutido aqui”, finaliza.
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