JORNAL DA TARDE (SP) • ECONOMIA • 15/11/2009
Investidor escolhe a maneira de poupar

O caminho a ser trilhado para o acúmulo de recursos que garantam uma aposentadoria confortável divide a opinião de especialistas. Na avaliação de Adriano Gomes, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), depende do perfil de cada investidor. Gomes afirma que a primeira atitude é trocar sonhos de consumo pelo projeto de poupança. “Sem definir um porcentual fixo, ele deve separar parte da renda atual para investir”, ensina. O professor recomenda que a pessoa defina o quanto pretende acumular e, a partir disso, passe a guardar mensalmente uma determinada quantia.

Segundo ele, os mais conservadores, isto é, investidores que têm medo de riscos, podem optar por aplicações de renda fixa, aquelas nas quais o rendimento é previsto no momento da contratação. “São investimentos como poupança, títulos públicos ou CDB (Certificado de Depósito bancário)”, diz. Aos investidores mais arrojados, Gomes recomenda investimento em ações, mas sempre de companhias sólidas e conhecidas no mercado.

Luís Augusto Ferreira, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), afirma que quanto mais cedo a pessoa iniciar um projeto de poupança com vistas à aposentadoria mais ela irá ganhar. Segundo Ferreira, o mais recomendado é que, com mais tempo, o investidor comece aplicando mais em alternativas de maior risco e vá mudando o perfil da carteira ao longo dos anos.

Ele observa que um investidor com idade entre 20 e 30 anos, que terá três décadas ou mais até deixar o mercado de trabalho, pode investir 40% do capital em ações e os outros 60% em opções menos arriscadas. “A Bolsa é cheia de altos e baixos, mas a longo prazo tende a render mais que outras alternativas”, diz.

Ferreira lembra que com o passar do tempo, o investidor deve resgatar os valores aplicados em bolsa e transferi-los para aplicações com risco menor, caso de poupança, títulos públicos ou fundos de renda fixa.

Ferreira também sugere que ao longo do planejamento para a aposentadoria, o interessado faça um seguro de vida cujo valor possa ser compatível com uma renda que garanta um padrão de vida de qualidade no caso da falta do titular. “Caso o produto não seja utilizado, poderá abrir mão ao se aposentar se estiver bem, com filhos criados e imóvel pago, mas até lá será uma garantia”, avalia.

O educador financeiro Mauro Calil, diretor do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil, afirma que outro ponto importante do projeto de poupança e de acúmulo de recursos para uma aposentadoria confortável é saber como comprar. “Pechinchar e aproveitar promoções também são formas de poupança”, diz. Segundo Calil, uma forma de economizar é, no momento da compra, optar pelo produto mais em conta entre aqueles de qualidade comprovada.


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