JORNAL DO COMÉRCIO (RS) • GERAL • 15/11/2009
Resultados derrubam executivos, aponta pesquisa
Especialistas alertam que atitudes de chefes pesam cada vez mais nas demissões

Patricia Comunello

Resultados frustrantes e incompetência técnica são as principais razões para empresas brasileiras dispensarem seus executivos. Os dois fatores determinam 48% das trocas de ocupantes de cargos de comando, segundo pesquisa da Catho Online, maior portal brasileiro de currículos profissionais e mercado de trabalho. Apesar de aparecer na terceira posição (com 12%), problemas na relação com os liderados são apontados por especialistas gaúchos como a base para o mau desempenho à frente do negócio.

O ingrediente comportamental aparece diluído na pesquisa no segundo grupo de condicionantes das demissões.

Somado com deficiência na supervisão de pessoas (8%), dinamismo insuficiente (5,4%) e problemas de relação com a chefia superior (2,9%), o motivo alcança 28,3% no ranking das prioridades para substituir o gestor. A gerente operacional da DCO Gestão de Carreiras Profissionais, Lígia Nery da Silveira, lembra que a posição estratégica dos executivos é liderar equipes. "Os profissionais que conseguem exercer melhor esta tarefa conseguem bons resultados para seus contratantes", justifica Lígia, que tem a seu favor 15 anos como headhunter, profissional que seleciona talentos para grandes empresas.

O diretor de marketing da Catho Online, Adriano Meirinho, ressalta que quanto mais elevada a hierarquia do cargo maior a cobrança de experiência e desempenho além do exigido para demais funções e postos. A especialista em treinamento de lideranças e professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) em Porto Alegre Dulce Maria Feijó Ribeiro reforça que a interferência do comportamento na obtenção de resultados ganha cada vez mais espaço porque "o gestor não está mais sozinho". "A dificuldade de trabalhar com o grupo será decisiva para o sucesso de metas. Um executivo solitário e que não compartilha metas ou resultados perderá liderança e até o posto", adverte Dulce.

A professora da ESPM identifica na pressão do mercado sobre o negócio e na pressa dos acionistas em obter respostas, leia-se ganhos, parte da pressão e imposição de um novo perfil de executivo. "A hierarquia não é mais estabelecida pelo conhecimento técnico, mas pela capacidade de ouvir as pessoas", acrescenta a especialista. "Infelizmente, esses postos não estão preparados para enfrentar uma equipe diferente, que quer participar e inovar", previne Dulce. Do lado das empresas, a professora defende maior valorização do fator humano, que implicaria observar a saúde, problemas familiares e limitações do executivo.

A pesquisa feita com mais de 16,2 mil profissionais - 83% deles ligados ao setor privado -, confirma o peso das relações interpessoais quando estão em jogo fatores que aparecem em segundo e terceiro lugares na decisão da dispensa. Essas condições surgem com maiores percentuais. Lígia define no trio competência, habilidade e atitude - o chamado "CHA" do manual de recursos humanos - as virtudes imprescindíveis aos executivos com mais chance de sobreviver nas empresas.

A ex-headhunter coordenou estudo recente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RS) que captou de cem presidentes de companhias com atuação no Estado justamente suas expectativas ao contratar gestores.

"Eles querem um profissional que se envolva com todas as áreas e não alguém que só empilhe diplomas", descreve a especialista. Segundo Lígia, as seleções de profissionais devem incluir, além de critérios técnicos, informações sobre a contribuição do candidato nas empresas em que já atuou. Para a gerente operacional da DCO, a crise econômica serve para mostrar os bons executivos. "Vale a competência em aprender a aprender rápido", completa.






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