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O GLOBO (RJ) • ECONOMIA • 30/11/2009
As opções para sobreviver aos juros baixos
Analistas indicam aplicação em Tesouro Direto, fundos multimercados e ações ligadas ao mercado interno BRUNO CHAMMA pensa em aumentar seus investimentos em fundos multimercados
e poupança
Bruno Rosa
Os juros básicos da economia, a Taxa Selic, estão em seu menor patamar histórico (8,75% ao ano) e nele devem permanecer até o segundo semestre do ano que vem, segundo previsão de analistas. Depois, deverá voltar a subir aos poucos. Nesse cenário em que os fundos DI e de renda fixa estão pouco atraentes, como fazer seu dinheiro render? Para os mais conservadores, analistas indicam a aplicação em títulos públicos federais, através do Tesouro Direto, programa de venda de papéis a pessoas físicas pela internet. Para quem quer correr um pouco mais de risco, a opção deve ser por fundos multimercados, de ações ou diretamente os papéis negociados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
Segundo Jason Vieira, economista-chefe da Uptrend, e Carlos Tadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central (BC) e chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a expectativa é que os juros subam entre meio e um ponto percentual no segundo semestre de 2010.
- No segundo semestre de 2010, o Banco Central já estará olhando para 2011, quando pode ocorrer algum tipo de pressão inflacionária com o aquecimento da demanda interna e a menor capacidade ociosa das empresas. Essa variação já é visível nos contratos de juros futuros (negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros), que voltaram a subir - diz Freitas.
Durante a semana passada, os contratos com vencimento em janeiro de 2011 apostavam que a Selic estará em 10,28% ao ano naquele mês, uma alta 0,88 ponto percentual em relação aos contratos negociados setembro com o mesmo vencimento. É por isso que os títulos do Tesouro Direito recomendados no momento são os prefixados e os atrelados à inflação, como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Nos dois casos, o ideal é escolher vencimentos longos, superiores a 720 dias, para escapar de uma maior tributação (o Imposto de Renda neste prazo é de 15%).
Título prefixado que vence em 2014 rende 12,75%
- Os títulos do Tesouro tiveram uma alta na rentabilidade com a expectativa de aumento da Selic. Por isso, o melhor são os prefixados, pois esse cenário já foi embutido. O cliente só perderia se saísse da aplicação no momento em que os juros estivessem mais altos do que o previsto, algo que não deve acontecer - afirma Fábio Colombo, administrador de investimentos.
Hoje, um título prefixado e que vence em 2014 tem ganho de 12,75% ao ano. Myrian Lund, professora de finanças da Fundação Getulio Vargas, lembra que os papeis ligados ao IPCA, que pagam a taxa de inflação mais juros, com vencimento em 2015, têm ganho real de 6,5% ao ano:
- É uma oportunidade para quem quer ganhar neste momento - comenta.
As aplicações em renda variável continuam sendo uma boa opção. Quem pensa em aplicar em ações na Bovespa o ideal é procurar papéis dos setores imobiliário e ligados ao consumo interno, como bebidas, alimentos e varejo. Pode-se ainda optar pelos fundos de ações dos bancos, que não exigem o acompanhamento diário recomendado à aplicação direta na Bolsa.
- Com o crescimento da economia, setores ligados à demanda interna deverão ter maior rentabilidade do que papéis do setor de infraestrutura - diz Henrique De La Rocque, diretor de gestão da Meta Asset Management.
O economista cita ainda os fundos multimercados, que passaram a ter bons ganhos este ano, após um 2008 de resultados fracos. Os gestores destes fundos podem aplicar em ações, derivativos (mercado futuro), câmbio, renda fixa e DI. Com isso, podem tirar vantagem dos diferentes movimentos do mercado.
Entre os investidores mais conservadores, a orientação é pela caderneta de poupança, já que os fundos de renda fixa e os DIs pagam Imposto de Renda sobre a rentabilidade e ainda têm taxa de administração, que pode chegar a 4% ao ano.
- A rentabilidade dos três está muito parecida. A diferença é no custo - sugere Alexandre Espírito Santo, da ESPM-RJ e economista da Way Investimentos.
O empresário Bruno Chamma, sócio da empresa de marketing Kindle, está sempre alterando o seu portfólio de investimentos. Porém, ele acredita que o mais importante é a diversificação das aplicações.
- Com a possibilidade de alta de juros, vou fazer algumas mudanças para tirar proveito deste cenário, como aumentar a parcela em poupança e nos fundos multimercados - diz.
oglobo.com.br/economia
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