DIÁRIO DE NATAL (RN) • GERAL • 16/1/2010
Demissão não é fim de carreira; saiba como recuperar espaço no mercado

A notícia vem, esperada ou não, sempre faz mal. Quem contava com uma renda fixa durante um período da vida, de repente, se vê sem lugar no mercado. O recomeço não é fácil, reconhecem especialistas, mas pode significar uma mudança de comportamento, novas metas de vida e até a felicidade de redescobrir a profissão ou identificar os planejamentos que falharam ao longo da carreira.

Foi o que aconteceu com Washington Dantas Pereira, forçado a deixar a Brasil Telecom depois de 24 anos de trabalho. Ele e outros 600 diretores foram demitidos quando a empresa de telecomunicação foi comprada pela Oi. "A gente sente o baque, pois, com tanto tempo de empresa, acabamos construindo uma família lá dentro", conta o engenheiro civil de 45 anos. Ao sair, Washington recebeu duas propostas de emprego, mas achou mais viável seguir seus sonhos. Em julho de 2009, abriu a Nova Linha Engenharia. "Faço projetos desde os meus 16 anos. Sempre pensei em abrir minha empresa de engenharia.Com a demissão, coloquei esse plano em prática", conta o dono da construtora. "Na Brasil Telecom, fiz vários cursos, me formei, fiz pós-graduação. Minha qualificação cresceu muito. Agora, colocarei todo o conhecimento que aplicava lá em um negócio próprio. Os primeiros projetos já estão em andamento."

Embora esse seja um caso de sucesso, não é tão fácil se reerguer de uma demissão. Segundo a professora Célia Marcondes Ferraz, coordenadora do Núcleo de Estudos de Gestão Estratégica de Pessoas da ESPM, o primeiro abalo ocorre no lado emocional. É nesse momento que a pessoa começa a pensar que não é boa o suficiente para a função que exercia e a analisar o motivo da dispensa, colocando, assim, a autoestima em xeque. Quem pensa que essa fase não deve ser vivida erra. Ela, inclusive, pode acelerar a superação. "O trabalho é parte integrante da vida dos indivíduos, perdê-lo é algo bastante significativo. Por isso, é essencial que exista um tempo para recuperação da autoestima e fortalecimento do psicológico", afirma Célia Marcondes.

Segundo ela, o primeiro passo, após perder o emprego, é procurar a família, os amigos, as pessoas que possam dar apoio. Depois, devem vir o descanso e a realização de projetos pessoais, como viajar e fazer atividades físicas. Isso, é lógico, sem gastar todas as reservas recebidas após a demissão. "A recolocação no mercado de trabalho demora de um a dois meses para profissionais que recebem salários mais baixos; de seis meses há um ano para supervisores e gerentes; e de um a dois anos para um gerente ou diretor com alto salário", compara Célia. Além disso, ligar a demissão à incompetência ou à má conduta é também fazer um falso julgamento. Os motivos são diversos, desde uma redução obrigatória no quadro de funcionários à chegada de líderes que querem montar novas equipes.

Por Manoela Alcântara, do CorreioBraziliense




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