JORNAL DA TARDE (SP) • ECONOMIA • 19/1/2010
Brasileiro está otimista e quer gastar com supérfluos
O brasileiro está mais disposto a gastar com produtos e serviços supérfluos neste ano. De acordo com pesquisa da Nielsen realizada em dezembro de 2009, quase metade dos consumidores do País (49%) disseram ter expectativas boas ou excelentes para as compras em 2010. “Isso reflete não apenas a disponibilidade de dinheiro no bolso, mas também a expectativa de que a situação econômica vai se manter estável pelos próximos seis a 12 meses”, diz José Reinaldo Riscal, gerente de desenvolvimento de negócios da Nielsen BrasilNo topo da lista de desejos dos consumidores estão entretenimento fora de casa (48%), novos produtos tecnológicos (43%), vestuário (42%) e reformas domésticas (40%). O aumento dos gastos com esses itens está relacionado ao ganho de renda e à melhora das expectativas de emprego para o futuro, explica o professor da FGV Management, Robson Gonçalves. “Quando há incerteza normalmente o dinheiro extra é direcionado para a poupança. Já quando o medo do desemprego diminui e há ganho de renda há maior consumo de itens supérfluos”, diz.
Segundo Gonçalves, além da recuperação da criação de empregos em 2009, a variação do dólar também contribui para a melhora da percepção para 2010.
“Com o dólar baixo, a percepção de poder de compra da classe média aumentou”, afirma ele.
Já o professor de finanças da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Adriano Gomes, acrescenta que as intervenções do governo para estimular o consumo também contribuíram para melhorar a confiança do consumidor. “O governo abriu a comporta do crédito e provocou uma retomada nos investimentos por meio do (programa habitacional) ‘Minha Casa, Minha Vida’”, diz.
Outro fator que contribui para a melhora das perspectivas do consumidor é o próprio ano eleitoral, em que os gastos do governo se elevam e puxam o desempenho da economia e de Copa do Mundo, quando há maior venda de televisores. “Esses conceitos altamente subjetivos acabam gerando mais vendas”, diz Gonçalves, da FGV Management.
A confiança do consumidor, medida pela pesquisa em dezembro, chegou a 110 pontos, o mesmo patamar registrado antes da crise de 2008. Com esse resultado, o Brasil foi o terceiro país com melhor índice de confiança do mundo, atrás apenas de Indonésia (119 pontos) e Índia (117).
Além das expectativas, as preocupações do consumidor brasileiro também mudaram. No primeiro trimestre do ano passado, a preocupação de 22% dos brasileiros que responderam à pesquisa da Nielsen era manter o emprego. Em segundo lugar vinha o endividamento, que preocupava 14% dos pesquisados. Na época, o índice de confiança estava em seu patamar mais baixo, com 84 pontos.
Em dezembro, a principal preocupação de 16% dos brasileiros era em relação ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Em segundo lugar vinha a educação dos filhos com 14% das respostas. “A preocupação com qualidade de vida mostra a mudança de perspectiva do consumidor brasileiro. Essa é uma das principais tendências que vejo daqui para frente”, diz Riscal.
A maioria dos brasileiros também acredita que o País já saiu da crise. Em dezembro, 33% dos entrevistados no Brasil responderam que o País estava em recessão. Na metade de 2009, esse índice era de 52%. Comparado a outros países da América, o Brasil está em situação privilegiada. Nos Estados Unidos, 90% das pessoas que responderam a pesquisa acreditam que o país está em crise. “O brasileiro realmente tem a percepção de que o País saiu da crise e isso explica o aumento de gastos com coisas não essenciais”, diz Riscal.