JORNAL DO COMMERCIO PE (PE) • GERAL • 21/2/2010
O aprendiz de Justus

Filho do temperamental Roberto, Ricardo Justus é corresponsável pelo sucesso do programaFernanda Brambilla

Agência Estado

No comando do game show do SBT 1 contra 100, Roberto Justus reincorpora o apresentador carismático dos tempos de O aprendiz. O que o público mal sabe é que é outro Justus, Ricardo, filho de Roberto e diretor artístico do programa, quem comanda a atração e doma o apresentador dando ordens pelo fone de ouvido. “Enquanto o candidato espera a resposta, fico tão ansioso quanto ele, porque eu também não sei a alternativa certa. Ricardo não me sopra”, conta Roberto Justus, 54 anos, e seis de carreira televisiva, sobre o primogênito “carrasco” de 26 anos.

“Ele acha que fica mais natural, então eu me espanto tanto quanto todo mundo quando aparece a resposta”. E, se o tom azul claro dos olhos não deixa dúvida quanto à genealogia, a teimosia e o perfeccionismo de Roberto batem de frente na calmaria de Ricardo. “Quando ele põe uma coisa na cabeça, é difícil tirar, viu? Meu pai é detalhista, super argumentativo, não deixa passar nada”, define o filho. O pai emenda: “Ricardo é todo ‘zen’”.

E é o trabalho que sai ganhando com as diferenças. “Se ele fosse igual a mim, não ia precisar dele trabalhando comigo. Mas ele pensa diferente, então me complementa”, diz Justus pai, que não esconde o orgulho, mas garante que até a rasgação de seda é produtiva: “Sempre tive um estilo meio rolo compressor, eu atropelo mesmo. Então, para me deixar ser dirigido, preciso respeitar muito a pessoa. Eu ouço a opinião dele e ele me enfrenta, viu? É um doce, mas quando quer, sabe se impor”.

No fogo cruzado, o diretor-geral do programa, Paulo Franco, admite que as discussões às vezes são bem afloradas. “Os dois têm personalidades distintas, mas fortes”, diz Franco, que divide o switcher e as funções de comando com Ricardo Justus.

Entre as nove câmeras, iluminação, áudio e o software das perguntas do 1 contra 100, não há tempo para ter receio no trato com o apresentador. “Ricardo também faz a redação final do conteúdo do programa. Então, se ele tem alguma ideia durante a gravação, já digo: ‘Fala pro teu pai’ e ele vai lá e fala. Ele não tem melindres, não quer agradar Roberto Justus. Essa sinceridade facilita tudo”, comenta Franco, que foi quem, há quase uma década, apostou no empresário publicitário à frente das câmeras. Hoje, ele se rende em elogios ao herdeiro: “Ricardo é um geniozinho. Eu brinco que ele é nerd, geek, mas a carreira dele está apenas começando”.

A parceria familiar já tem alguns anos. No primeiro O aprendiz, Ricardo Justus ingressou na produção como estagiário, até cair nas graças de um dos roteiristas. “Dei uns palpites na edição e gostaram. Na segunda edição, virei supervisor. Um tempo depois, fiquei responsável pela sala de reunião, que era o ponto mais crítico de cada episódio”, lembra Ricardo, que rechaça o nepotismo. “Eu não tinha contato com meu pai”.

E se na TV o filho prodígio segue os passos do pai, fora dela Ricardo prefere o cinema à publicidade. Desmotivado com o primeiro ano da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM, de São Paulo), ele largou, enfrentou a reprovação do pai e ingressou no curso de cinema, paixão de infância, na FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado). “Meu pai é business, eu sou criação”, define.

A única briga que Ricardo está longe de vencer é em frente ao espelho. “Eu não aguento quando ele aparece de camisa suja, um cabelo nojento de uma semana sem lavar, a barba por fazer”, denuncia o pai, vaidoso assumido.

“Sou totalmente desencanado com roupa”, admite Ricardo, e alfineta: “Pelo menos, ele desistiu de me fazer malhar, ser fã de futebol ou jogar tênis”, diverte-se.

O pai sUSPira. “Quando vamos ao sítio, então, eu acordo cedo, vou malhar, correr, mas Ricardo só dá as caras depois das 13h!”. Ricardo dá de ombros: “Prefiro ver um filme”. Também aí, gostos divergem. “Eu até brinco: ‘Pai, o filme é ótimo. Você vai detestar’”.

UMA FILHA NA MODA

Segunda mais velha dos quatro herdeiros da família Justus, Fabiana há pouco completou três meses de sua loja de roupas, mas atraiu mais atenção quando foi incluída na lista das 15 solteiras mais cobiçadas do mundo pela revista Vip, ao lado de patricinhas do primeiro escalão, como Paris Hilton. Mas o elogio não pegou bem: “Pô, eu namoro há seis anos, não estou exatamente solta”, reclama a lourinha, de 23 anos.

Aprendiz de empresária, ela se especializa em negócios da moda e é ambiciosa como o pai. “Ele me dá conselho todo dia”, diz Fabiana, que ainda tenta se firmar no mercado. “Eu sinto que há um preconceito, muita gente me acha filhinha de papai, mas isso se muda com tempo”, diz, e para isso bate ponto na Pop Up Store, incrustada na Oscar Freire, miolo do comércio chique da capital paulista.

Assim como o irmão Ricardo, Fabiana também tem passagens pelas empresas do pai, e apesar da formação original em Rádio e TV, prefere distância de holofotes. “Já brinquei disso, conheci bem os estúdios, mas prefiro a moda”. E como entendida do ramo, Fabiana engrossa o coro contra os desleixos do irmão. “Compro umas roupas para ele, mas Ricardo não sai do duo jeans e camiseta”, lamenta Fabiana, que elogia o paizão: “Ah, ele é super elegante, né? Não precisa de nenhuma dica”.


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