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24/03/2006
ONG’s entregam prêmio de biopirataria
A Coalizão Contra a Biopirataria, organização que reúne várias Organizações Não Governamentais de ambientalistas e agricultores, entregou nesta sexta-feira (24), durante a COP8, um prêmio de repulsa à biopirataria. O troféu foi um “gancho”, em uma alusão ao personagem de histórias infantis – o pirata Capitão Gancho. Entre os “premiados” estão a Syngenta Seeds, produtora de sementes, a Google Inc., empresa da área de tecnologia da informação, e o governo dos Estados Unidos. Segundo os organizadores do evento, o objetivo foi mostrar como essas organizações monopolizam a genética e o conhecimento humano tradicional.
“A premiação é um protesto à monopolização dos recursos genéticos e do conhecimento tradicional e a cultura seqüestrada de povos ou comunidades agrícolas que desenvolveram e cuidaram destes recursos”, disse a mexicana Verônica Villa Arias, da ONG ETC Group, uma das organizadoras da premiação.
A Syngenta foi a primeira a receber o prêmio, na categoria “Maior ameaça à soberania alimentar”, por causa da semente Terminator, desenvolvida para impedir a reprodução de grãos. A empresa Google Inc. ganhou a categoria “Maior ameaça à privacidade genética”, por criar uma base de dados para pesquisas on-line de todos os genes do planeta. Desta forma, segundo os ambientalistas, disponibilizará todas as ferramentas para o livre desenvolvimento da biopirataria.
O governo dos Estados Unidos foi homenageado pelo “Ato de biopirataria mais vergonhoso”. Segundo os organizadores, durante a guerra contra o Iraque, os EUA impuseram uma lei que obrigava os iraquianos a comprarem sementes de empresas privadas escolhidas pelos americanos para garantir a seguridade alimentar.
Verônica, que entregou os troféus aos vencedores, garante que as acusações feitas pela Coalizão são comprovadas. “Fazemos parte de um grupo de ONG’s que averiguam documentos das pesquisas científicas de diversas empresas para verificar se podem de alguma forma prejudicar os povos, a agricultura e o meio ambiente. Fazemos esta manifestação há oito anos e todas as denúncias têm provas documentais”, relatou.
Monopólio - Maria José Bocchese Guazelli, da ONG Centro Ecológico (RS), que ajudou a organizar a entrega do prêmio, contou um exemplo prático de monopólio dos recursos genéticos. “Um norte americano foi a uma feira no México e levou para os EUA sementes de um feijão amarelo que estava em exposição. Ele plantou, colheu seus grãos e levou para um escritório de patentes norte americano e disse que era seu”, relatou. Segundo ela, a partir dali, toda a carga de exportação do feijão amarelo tinha que vir acrescida dos royalties pagos a este norte americano. “A monopolização é isto, pegar um bem comum e tornar privado para o lucro de poucos”, concluiu Maria José.
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